A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), que ocorreu em Ulaanbaatar, Mongólia, trouxe à tona dois relatórios que ressaltam os significativos desafios ambientais enfrentados por mais de 50 pequenas nações insulares em desenvolvimento e pela região da Ásia Central.
Desafios das Nações Insulares
Os pequenos países insulares, que totalizam 39 nações e 18 territórios, abrangem oceanos como o Pacífico, Atlântico, Índico e o Mar do Sul da China. Desses locais, cerca de 18,8 milhões de hectares estão degradados, representando 16,5% do território total. A situação é crítica, uma vez que mais de 70% desses países enfrentam escassez de água e, além disso, 43% deles lidam com impactos severos da seca. Entre 1961 e 2023, a área afetada pela seca extrema aumentou em 30%.
Além disso, aproximadamente 16,3 milhões de indivíduos nessas nações sofrem de insegurança alimentar grave, enquanto 11,5 milhões enfrentam subnutrição. Apesar de receberem anualmente em torno de US$ 2 bilhões em ajuda pública voltada à adaptação climática, isso representa apenas 0,2% do total global investido em questões relacionadas ao clima. Para que a adaptação se torne eficaz, esses países necessitam, na verdade, de pelo menos US$ 11,7 bilhões por ano, um valor quase seis vezes maior do que o que atualmente obtêm.
Impactos na Ásia Central
A região da Ásia Central, que inclui os países do Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão, está enfrentando uma degradação significativa de seus recursos naturais. O relatório aponta que mais de 80 milhões de hectares, representando um quarto da área total, estão degradados, afetando cerca de 24 milhões de pessoas, que equivalem a aproximadamente 30% da população. Anualmente, essa degradação provoca perdas financeiras que ficam entre dois e seis bilhões de dólares, conforme estimativas da ONU.
A região também aquece a uma taxa duas vezes superior à média global e, nas últimas cinco décadas, suas geleiras, que eram essenciais para o abastecimento hídrico, diminuíram em 30%.
Chamado à Ação
Yasmine Fouad, secretária executiva da UNCCD, destacou a urgência em acelerar esforços para enfrentar essas crises. Ela sublinhou a necessidade de investir na gestão sustentável da terra, fomentar a colaboração entre os países e colocar o bem-estar das populações e dos ecossistemas no centro das decisões de desenvolvimento.
Com informações da Agência Brasil (EBC), sob licença CC BY 3.0 BR. Texto editado.
