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Comece o dia bem informado! 27 de agosto de 2026

COP17 pode adiar novamente acordo sobre combate às secas

A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), que ocorre em Ulaanbaatar, na Mongólia, enfrenta significativos desafios na criação de um mecanismo global para lidar com as secas. Com o evento se aproximando do fim, agendado para esta sexta-feira (28), informações de fontes próximas às negociações apontam para a provável falta de um acordo definitivo, em parte devido à resistência de potências como os Estados Unidos e a União Europeia.

Os resultados esperados até o momento se limitam a uma mera formalidade burocrática, o que levará a discussão da questão para a COP18, prevista para 2028, no Egito. Essa situação se assemelha ao cenário visto na conferência anterior, em Riad.

Defendendo a criação de um regime para tratar das secas, o Brasil reconhece que, na ausência de consenso, a melhor alternativa seria manter este tema nas futuras pautas de discussão. Durante a semana, as tensões aumentaram, especialmente entre representantes de países africanos, que solicitam soluções efetivas de longo prazo, e das nações mais desenvolvidas, como os Estados Unidos.

Desafios financeiros e geopolíticos

A falta de compromisso das nações mais ricas com acordos obrigatórios e a relutância em fazer gastos externos, diante das crises internas, têm dificultado as negociações. O objetivo das instituições africanas é criar um mecanismo multilateral que proporcione uma abordagem coordenada para os desafios relacionados às secas, o que exige apoio financeiro para que países vulneráveis possam se adaptar e prevenir desastres.

Perspectivas da secretaria executiva

Andrea Meza Murillo, a secretária executiva adjunta da UNCCD, expressou um otimismo cauteloso em relação à possibilidade de um acordo, apesar das dificuldades evidentes. Ela destacou a necessidade de os países reconhecerem a seriedade do problema da seca, que representa um desafio global que demanda cooperação internacional.

Meza também enfatizou a relevância de uma sociedade civil ativa e de agências não governamentais na luta contra as secas, indicando que um engajamento mais forte poderia impulsionar ações significativas.

Impacto crescente das secas

Informações da UNCCD mostram que a intensidade e a frequência das secas aumentaram em cerca de 30% desde 2000, afetando várias regiões ao redor do mundo. Especialistas afirmam que a abordagem atual, que considera a seca um evento raro, deve ser revista para que a crise beba de uma nova perspectiva, reconhecendo-a como um fenômeno persistente.

Daniel Tsegai, coordenador do grupo de trabalho sobre secas da UNCCD, alertou que os efeitos da seca se estendem além do setor agrícola, impactando também o transporte, saúde e comércio global. Ele enfatiza que o fenômeno deve ser tratado como uma questão sistêmica, exigindo respostas preparatórias e coletivas.

Financiamento e iniciativas paralelas

Embora a criação de um regime global esteja incerta, várias iniciativas seguem progredindo durante a conferência. A Aliança de Riad para Resiliência Global à Seca anunciou um fundo destinado a 70 países em desenvolvimento para auxiliar na adaptação às secas, com um investimento inicial de US$ 150 milhões da Arábia Saudita e promessas de investimento do Banco Islâmico de Desenvolvimento e da OPEP.

De forma paralela, foi lançado o Fundo de Investimento para Resiliência à Seca, com o objetivo de atrair um capital privado substancial para apoiar as ações contra o fenômeno. Este fundo, criado pela UNCCD em parceria com Luxemburgo, visa mobilizar um total de US$ 400 milhões.

Plataforma de gestão de riscos de seca

Durante a conferência, a Fase 2 do Observatório Internacional de Resiliência à Seca foi lançada, uma plataforma inovadora que tem como propósito monitorar e suportar os países na antecipação aos riscos de seca. Utilizando um Índice de Resiliência à Seca, a plataforma busca identificar vulnerabilidades e fundamentar políticas mais eficazes. A iniciativa conta com o emprego de inteligência artificial e colaborações globais para aprimorar o entendimento e o enfrentamento do fenômeno.

Com informações da Agência Brasil (EBC), sob licença CC BY 3.0 BR. Texto editado.