No quarta-feira (12), uma intensa discussão ocorreu na Câmara dos Deputados, onde o embaixador Celso Amorim, assessor especial da presidência da República, e membros da oposição manifestaram opiniões divergentes sobre as tensões recentes nas relações Brasil-Estados Unidos, especialmente com a administração de Donald Trump.
Amorim defendeu que as tensões, como o aumento das tarifas impostas pelos EUA, têm raízes políticas, sugerindo que a Casa Branca busca subordinar as nações latino-americanas aos seus interesses.
“O presidente Lula tem sido firme em afirmar que não aceitamos que medidas unilaterais sejam usadas para relativizar nossa soberania ou impor constrangimentos econômicos”, enfatizou o embaixador.
Ele citou um vídeo do Departamento de Estado dos EUA que reafirma a dominância americana na América Latina e comentou que essa postura é prejudicial à soberania de países da região, incluindo o Brasil.
“A divulgação deste vídeo mostra uma clara tentativa de deslegitimar a soberania dos países latino-americanos, principalmente do Brasil”, indicou.
Em contraposição, os deputados da oposição responsabilizaram o governo brasileiro pela deterioração das relações com os Estados Unidos. O presidente da Comissão de Relações Exteriores, Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PL-SP), mencionou a transformação do Brics em uma frente anti-ocidental como um exemplo do anti-americanismo do governo.
“Priorizar a retórica e a vaidade em detrimento do pragmatismo comercial traz prejuízos ao Estado brasileiro”, afirmaram os opositores.
Luiz Philippe também pediu agilidade ao governo brasileiro na concessão do visto diplomático para Daniel Pérez, indicado por Trump para a embaixada no Brasil, enfatizando que o atraso havia ocasionado o cancelamento do visto da embaixadora brasileira nos EUA, Maria Luiza Viotti.
Outro deputado opositor, Marcel Van Hatten (Novo-RS), argumentou que a ação do Brasil de bloquear contas de empresas americanas em um processo envolvendo a rede social X foi uma “agressão” à soberania dos EUA.
“O tarifaço está, sim, relacionado com as ações do Brasil contra os EUA; é uma tentativa de encobrir os fatos”, disse ele.
Em resposta, Amorim reiterou a disposição do Brasil para dialogar com qualquer governo, independentemente da orientação política. Ele também destacou que a suspensão da concessão de vistos diplomáticos se aplica a representantes estrangeiros até as eleições de outubro e criticou a rápida indicação de um novo embaixador americano sem o consentimento do Itamaraty.
Outro tema abordado durante a sessão foi a decisão americana de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Amorim alertou que tal designação poderia ser usada indevidamente como pretexto para intervenções externas no Brasil.
“Houve precedentes em que classificações extremas foram utilizadas para justificar ações militares, algo que devemos considerar”, afirmou.
Deputados opositores, como o general Girão (PL-RN), apoiaram a postura dos EUA e expressaram temor sobre a possibilidade de forças especiais americanas entrarem no Brasil para combater a criminalidade. Amorim reafirmou que a luta contra o crime organizado deve ser uma questão interna do Brasil.
“A soberania significa que o Brasil deve conduzir essa luta sem subordinações a forças externas”, concluiu.
Com informações da Agência Brasil (EBC), sob licença CC BY 3.0 BR. Texto editado.
