Pular para o conteúdo

Fungos ajudam na restauração de terras degradadas e na crise climática

A degradação ambiental tem levado cientistas a explorar soluções que ajudem a restaurar os ecossistemas danificados. Durante a 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Combate à Desertificação (COP17), realizada na Embaixada da França em Ulaanbaatar, Mongólia, as biólogas Toby Kiers e Burenjargal Otgonsuren destacaram o papel crucial dos fungos micorrízicos neste processo de recuperação.

Estes fungos estabelecem uma simbiose com as raízes das plantas, formando redes subterrâneas que não apenas aumentam a capacidade de armazenamento de água e nutrientes no solo, mas também protegem as plantas contra a seca e a erosão. De acordo com Kiers, diretora-executiva da Society for the Protection of Underground Networks (SPUN), essa rede pode ser comparada a uma infraestrutura viva, fundamental para a saúde do solo.

“Eles criam uma infraestrutura viva subterrânea que mantém o solo unido. São como um sistema circulatório que conecta a vida acima e abaixo do solo.”

Experimentos em Pastagens

Comandada por Burenjargal Otgonsuren, a pesquisa enfatiza que proteger o solo é vital para a recuperação das pastagens. Ao isolar áreas da pressão do pastoreio e intervenções humanas, os resultados iniciais mostraram-se encorajadores. As plantas nas áreas cercadas demonstraram um crescimento superior em comparação com aquelas expostas a condições externas adversas.

Otgonsuren, que cresceu em pastagens mongóis e possui compreensão das plantas regionais, planeja monitorar esses testes por três anos. Ela já considera a possibilidade de estabelecer corredores para promover a preservação da biodiversidade fúngica.

Biodiversidade Subterrânea em Risco

Nas estepes mongóis, a diversidade fúngica é fascinante, com até 90% das sequências de DNA fúngico analisadas pertencentes a espécies ainda não descritas. Na área do deserto do Gobi, foram identificadas 541 unidades taxonômicas de fungos micorrízicos, muitos adaptados exclusivamente ao ambiente local.

A especialista em conservação alerta sobre a proteção necessária a esses organismos nativos, ressaltando a impossibilidade de simplesmente introduzir fungos de outras regiões. “Precisamos proteger essas espécies endêmicas e reproduzi-las para uso em restaurações”, afirmou Otgonsuren.

Repensando Políticas Ambientais

Toby Kiers propõe uma revisão das políticas de conservação que frequentemente focam em organismos visíveis, negligenciando a importante biodiversidade subterrânea. Segundo Kiers, cerca de 90% das áreas com hotspots de biodiversidade microbiana carecem de proteção adequada.

“Precisamos proteger aquilo que não conseguimos ver.”

Ela sugere que a integração dos fungos nas políticas de combate à desertificação e no monitoramento da degradação do solo é essencial para garantir o sucesso das iniciativas de conservação. A SPUN já trabalha com pesquisadores de várias partes do mundo na criação de um atlas global que conecte esse conhecimento às políticas públicas.